Fotografia: Da janela do confinamento: Solidão (From the confinement window: Solitude)

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Dois momentos: Entrevista com uma Psiquiatra. E uma reportagem em uma casa de idosos. A primeira, sobre a Covid-19: “É uma doença da solidão”. A segunda, feitos testes para o vírus, mais da metade resultaram positivo e foram isolados. Vale o clichê, o mundo mudou. A tecnologia, com todas as ressalvas possíveis, é hoje um meio de comunicação. A medida em que os meios foram se aperfeiçoando, cresceu o ” distanciamento social “. Antes, a letra irregular e única de quem escrevia uma carta foi substituída por caracteres que podem ser escolhidos entre dezenas de fontes. E o carteiro dos dias atuais é apenas um click no enviar. O contato humano, via de duas mãos, foi batizado de virtual. Conquistamos o mundo. A entrevista e a casa de idosos não foge de meus pensamentos. O que será de cada uma dessas pessoas que, isoladas, sequer acessam um computador, vivem uma vida em que as mãos são fonte de humanidade. Não toco nem sinto teu rosto com uma tecla de computador. Não olho nem sinto teus olhos pela câmera de um computador. Não toco nem sinto ninguém isolado dentro de um quarto aos oitenta anos de idade. Tudo o que sinto é o que já é sentido hoje: solidão. Meus pensamentos viajam no tempo e descansam quando meus olhos fecham e a noite se aproxima lenta trazendo as nuvens do temporal sobre o vermelho da paixão pela vida.

Two moments: Interview with a psychiatrist. And a story in an old people’s home. The first, on covid-19: “It is a disease of loneliness”. The second, done tests for the virus, more than half were positive and were isolated. It’s worth the cliché, the world has changed. Technology, with all possible caveats, is now a means of communication. As the media improved, the “social distancing” grew. Previously, the irregular and unique letter of those who wrote a letter was replaced by characters that can be chosen from dozens of fonts. And the postman of the present day is just a click on the send. Human contact, via two hands, was baptized virtual. We conquered the world. The interview and the old people’s house don’t run away from my thoughts. What will become of each of these people who, isolated, do not even access a computer, live a life in which the hands are a source of humanity. I don’t touch or feel your face with a computer key. I don’t look or feel your eyes from a computer camera. I don’t touch or feel anyone isolated in a quarter at the age of eighty. All I feel is what is already felt today: loneliness. My thoughts travel back in time and rest when my eyes close and the night approaches slowly bringing the clouds of the storm over the red of passion for life.

Dos momentos: Entrevista con un psiquiatra. Y una historia en la casa de un anciano. El primero, en el cóvido-19: “Es una enfermedad de la soledad”. La segunda, realizada según el virus, más de la mitad fue positiva y se aisló. Vale la pena el cliché, el mundo ha cambiado. La tecnología, con todas las salves posibles, es ahora un medio de comunicación. A medida que los medios de comunicación mejoraron, el “distanciamiento social” creció. Anteriormente, la carta irregular y única de aquellos que escribieron una carta fue reemplazada por caracteres que se pueden elegir entre docenas de fuentes. Y el cartero de la actualidad es sólo un clic en el envío. El contacto humano, a través de dos manos, fue bautizado virtualmente. Conquistamos el mundo. La entrevista y la casa de los ancianos no huyen de mis pensamientos. Lo que será de cada una de estas personas que, aisladas, ni siquiera acceden a una computadora, viven una vida en la que las manos son una fuente de humanidad. No toco ni siento tu cara con una llave de computadora. No miro ni siento tus ojos desde una cámara de computadora. No toco ni siento a nadie aislado en una cuarta parte a la edad de ochenta años. Todo lo que siento es lo que ya se siente hoy: la soledad. Mis pensamientos viajan en el tiempo y descansan cuando mis ojos se cierran y la noche se acerca lentamente trayendo las nubes de la tormenta sobre el rojo de la pasión por la vida.

Foto: Chronosfer.

45 comentários em “Fotografia: Da janela do confinamento: Solidão (From the confinement window: Solitude)

    1. pois é, Geraldo, na verdade vários sentimentos se uniram e fui escrevendo, escrevendo e o texto estava longo demais para o post. fiz uma edição e apaguei o original. o confinamento tem sido muito difícil para todos e em especial para aqueles que conhecem de perto a solidão ou passam a conhecer. vai passar. seguimos, meu amigo, na fé e na força. grande abraço.

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  1. Meu querido amigo Fernando… seu texto me veio como túnel do tempo! Na adolescência, vestíamos de palhaço e visitávamos o orfanato e o asilo alternadamente. Levava o violão e com duas ou três notas cantava o mundo e as coisas lindas da América. Mas, a primeira vez que visitei o asilo foi impactante. Ouvi as histórias daquelas velhinhas (algumas cuidavam com zelo de bonecas) e de como a saudade corroía seus corações. O corona vírus da época se chamava abandono. Deste impacto nasceu esta poesia, ali mesmo, filha do asilo (https://panografias.com.br/asilo-ou-exilio/). Naquela época não existia computador mas o isolamento já era conhecido por eles. Confesso que meus olhos marejaram agora. Como diz um certo Alceu: a solidão é fera, a solidão devora! Obrigado por compartilhar as coisas do coração… que seus dias sejam de luz! Abraços

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    1. meu querido amigo e mestre, ontem qdo conversávamos e perguntavas sobre um tema, é só republicar o teu post. maravilhoso, foto deslumbrante, significativa, humana, vívida. vai lá, republica. e seguimos juntos nessa caminhada. teus dias e de tua família sejam azuis e ensolarados sempre. (aqui, amanheceu 8º e agora faz um lindo dia de sol, 18º, e a vontade de caminhar e entrar em uma cafeteria fica apenas na vontade, mas o café está junto, a música presente e as teclas me ajudando a escrever.) abraço imenso!

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  2. Bueno, hablas abierto como una herida. Me ha dolido. La música, la imagen .. sensibles. Podría ser que todos nos echáramos al mundo con un par de zapatillas y una mochila. Todos. Y .. quién sabe? Utopía?
    Las ciudades vacías serían un buen pago vitalicio para los reyes de este manicomio. ¿Qué necesitamos los que solo necesitamos vivir? Sensible texto, te escucho el tono en las letras. Precioso post. Un abrazo. ✨

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  3. This post is so thoughtful. Although communication technology has penetrated remote places as far as the Himalayas, I guess it’s true that many people are not yet reached by the so-called sophistication. For people living in towns, under their individual roofs, it might be a problem. But for people who are still living in small, communal places I wonder if they share the same kind of loneliness that we’re currently suffering on…

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    1. Hi, Morishige, thank you so much for the reflection you leave here. the question of loneliness is very profound, and I’ve been thinking about it a lot for a long time. of course I know and am aware of how much technology has been a companion and instrument in our favor. however, not only in these complicated times does loneliness accompany so many of us that it often becomes a dead end street. and then, the lack of human contact today causes feelings to be suffocated also by the absence of touch, of the look, of the word spoken. and especially for those who are in deep isolation and have no technological resources. I think loneliness really doesn’t depend on that but eventually it can mitigate. greetings from Porto Alegre, southern Brazil.

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      1. Couldn’t agree more. I myself finally reached out to old friends. We’ve begun to chat often or even video call, catching up on things. And the technology has led me to find awesome blogs run by awesome people like you. 🙂 I hope the comments we share on blogosphere can mitigate our shared loneliness.

        Greetings from Yogyakarta, Indonesia. 🙂

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      2. It’s true, my dear friend. technology allows all this and our conversation, which makes me very happy. what I wrote in the post and for you is grounded in a reality that we live here in Brazil: social inequality. I know it is also an evil that afflicts various places in the world. these people, unfortunately, already live in isolation and social solitude. and this becomes more severe and severe when it comes to elderly people who contract covid-19 and are isolated. Of course, that technology allows a lot, I read a report today in which a daughter said goodbye to her mother through a video call. I confess that I was thrilled and yet I felt that i missed the human touch in the farewell. Again, thank you very much, I am really enjoying talking to you. stay safe!

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      3. Couldn’t agree more with your thoughts, as I live in a so-called developed country where the electricity is not even yet everywhere. There are so many people unable to go back to their hometown in the countrysides because of the movement restrictions. Children unable to meet with their parents and vice versa. And I also miss hanging out with friends over a cup of coffee. It’s been months since I went out to a cafe. I hope it’s soon over so we can all go out and meet the beloved one.

        You too stay safe, my friend. 🙂

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      4. my friend morishige, I think in essence we agree. and I also think that maybe i do that you do not understand meljor what I write is that I do not master English, I use the translator googl and not always the words and phrases come out exactly as they were thought. however, the important thing is that we are talking and approaching our places and in these complicated times this is very important. let me tell you something, I also really like coffee and I really miss hanging out, sitting in a coffee shop and chatting with my friends over good coffee. But I have to be reclusive, I don’t know how long. I’m from the risk group. just over a year ago I underwent surgery to retain bowel cancer, so doctors do not want you to leave or even return to the hospital – April were scheduled for control examinations and were postponed. life goes on and I’m sure we will come out well and more human, more supportive, with much more empathy for our neighbor. thank you so much and stay safe, please!

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      5. It’s OK, I guess. I understand your comments perfectly. So true. It’s hard for me to do so, but I have to, not necessarily because I love hanging out, but because I usually hang out at a cafe where my friend is working. But I guess it’s for the benefit of all people.

        I hope you’re recovering well from the surgery, my friend. 🙂

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      6. Hi, my friend. everything is quiet and at peace. I know exactly what you write. and I also know that we’re going to win this tough period that we’re living in. my recovery until the pandemic started was great. the control examinations scheduled for April have been postponed so there is always a question mark. the battle not to return to illness is daily but I feel good and at peace. we move on. stay safe, my friend.

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    1. Oi, Bia, há muito penso nisso e qdo me deparei com as matérias na imprensa fiquei triste e de alguma maneira “em solidão”. Desde o ano passado venho em confinamento, primeiro em função das cirurgias, depois os cuidados com a quimioterapia. Somente no fim do ano é que estava liberado e então logo vem o coronavírus. Claro, nada perto do que passam esses idosos que realmente não têm ninguém além deles mesmos. Espero que passe logo e vamos ver o que posso fazer. Muito obrigado pela presença, me faz feliz. E cuide-se bem, por favor. Abraço.💐

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  4. There are several faces of this coronavirus days, but as you mentioned, loneliness, so touching… What a world now we all live… Thank you dear Fernando, stay in safe, Love, nia

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  5. Já visitei assim como o Sandro, muitos asilos… Assim como a Alda também visita… Mas, converso por telefone com meu pai que chegou aos 69 anos sem saber escrever, ler, ainda mais usar um computador… Sequer o celular ele sabe ligar… Comprei um aparelho de TV a cabo para que assim ele acesse suas missas e terços na TV… Não conseguiu… nem pude ir para lá ensiná-lo, ajudá-lo… Estão confinados (ele e minha mãe) em casa… A solidão bate à porta, nem ela queremos deixar entrar… Mas, ela não precisa que abramos a porta… ela simplesmente entra sem pedir licença… Tanto lá quanto cá… Nem sempre por estarmos sozinhos, mas, apenas porque muitas vezes não sabemos os caminhos para fugir dela…

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    1. Nem sei o que dizer, Estevam. Fostes muito sensível e afetivo e trouxeste tudo isso para dentro do post. Escuto e leio muito que tudo vai passar e também repito como se fosse uma única nota na esperança de amanhã acordar desse pesadelo e poder abraçar os meus, família, amigos, desconhecidos e celebrarmos todos juntos a vida. Sei que farás isso com teus pais com a sempre proteção do nosso bom Deus para atravessarmos esse período. Um grande abraço.

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  6. O que me espanta é que antes da pandemia já estávamos isolados em nós mesmos. Mas, de repente todo mundo sente falta do outro. Quer abraçar, estar. Reparou que existe o outro. Somos estranhos. Me lembro que me reuni com amigas e fiquei lá, de braços cruzados a frente do corpo a observa-las em seus transes. Estavam mais ocupadas em fazer fotos para um app. Responder mil mensagens. Pareciam hipnotizadas pelo telemóvel.

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  7. Tantas verdades no texto do Fernando e tantas verdades nos comentários!
    Apesar de ser frio e não ter o calor de um abraço, o virtual consegue ser um elo de ligação importante, especialmente nas ligações que se fazem com toda a família. É pouco, mas sabe tãaaao bem! Nas ligações em simultâneo atropelam-se as vozes, o som por vezes não está sincronizado, mas estamos juntos, rimos, dizem-se piadas, etc, etc. Somos uma entidade com identidade. E uma doce confusão! Sinto esses momentos como uma “refeição” partilhada…

    Mas como é mencionado, difícil será mesmo para os que estão isolados e o virtual não existe, seja porque não têm ou porque não o dominam minimamente. Aí dói pensar. Mas talvez possamos agir, telefonando um pouco pais; ou enviando a tal carta com a nossa letra que há tanto tempo deixamos de escrever e que o Fernando tão bem lembra…
    Enfim, que aprendamos com esta lição os valores que são realmente importantes.

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    1. É verdade, o maravilhoso é saber que podemos nos encontrar assim, como hoje é possível, mas penso naquelas pessoas que estão isoladas pela desigualdade social e mais em particular os idosos que ficam em lares d acometidos da doença e sem acesso a nada encontram com maior intensidade a solidão. Muito obrigado pelo comentário lúcido e sensível. O meu abraço.

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    1. Oi, Cris, eu ainda tenho a imagem de tantos relatos semelhantes que se juntam a outros tantos em há o abandono aos idosos que precisam apenas desse toque que as mãos proporcionam. Quem sabe esse caos todo ainda possa fazer com que a humanidade se torne mais humana. E você, cuide-se bem, por favor, com toda a turma. Abraço carinhoso.💐

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    1. é algo com o qual teremos que conviver, a vida não pode esperar e nós precisamos seguir. situações extremas sempre nos provocam e espero (desejo) que possamos encontrar as respostas o mais rápido possível. muito obrigado pela presença e pela “provocação”. sempre é importante e essencial pensar. o meu abraço.

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